Psicologia - Helena Oliveira
Para quando sentimos que não estamos a ser capazes de gerir os nossos sentimentos, pensamentos e/ou comportamentos de um modo que seja satisfatório...
26/08/2026
“Sou aquilo que me deres. Portanto, que seja amor.” 🤍
Hoje, o meu filho chamou-me para me mostrar que tinha coberto o nosso cão com o tapete da entrada.
Estava frio e, na lógica dele, precisava de f**ar mais quentinho.
Sorri.
Porque, naquele gesto tão simples, havia tanto:
Havia cuidado.
Havia preocupação com o outro.
Havia amor.
E pensei que, afinal, talvez não precisemos de ensinar às crianças o que é o amor através de grandes explicações.
Podemos ensiná-lo através da forma como as tratamos:
Quando as escutamos.
Quando estamos presentes.
Quando cuidamos.
Quando respeitamos os seus limites.
Quando reparamos depois de errar.
Quando lhes mostramos, através das nossas palavras e atitudes, que são importantes, que são vistas e que são amadas.
É assim que elas aprendem, nas relações, o que signif**a cuidar de alguém.
E depois, tantas vezes, devolvem-nos isso à sua maneira:
Num abraço.
Num brinquedo que partilham.
Num cobertor sobre um cão.
Num “estás bem?” quando nos magoamos ou percebem que estamos tristes.
Porque aquilo que oferecemos às crianças torna-se, pouco a pouco, parte daquilo que elas conhecem como relação.
Não é uma receita.
Nem signif**a que uma criança que recebe amor irá responder sempre com amor.
Mas signif**a que o amor que lhes damos é também uma das primeiras linguagens através das quais aprendem a amar.
E que bonito é perceber que, às vezes, aquilo que estamos a tentar ensinar já está ali:
Nas pequenas coisas.
Nas pequenas mãos.
Num tapete pousado sobre um cão para que não tenha frio.
Talvez seja isto educar para o amor: amá-los tanto e de tantas formas que eles aprendam, pelo caminho, que é assim que se cuida de quem se ama.
| Nas Entrelinhas da Infância 🌿 |
Porque, quando mudamos a forma como olhamos para uma criança, mudamos também a forma como ela cresce.
10/08/2026
Para guardar. Para voltar. Para não esquecer. 🌿
Porque, no meio da pressa, das birras, dos limites, dos desafios e dos dias difíceis, podemos esquecer-nos de uma coisa:
a criança que temos diante de nós está também a aprender quem é através da forma como a olhamos.
Que possamos olhar um pouco para além do comportamento.
Um pouco para além do momento.
Um pouco mais para dentro.
É aí que começam as entrelinhas.
| Nas Entrelinhas da Infância 🌿 |
Porque, quando mudamos a forma como olhamos para uma criança, mudamos também a forma como ela cresce.
06/08/2026
"Mãe, então não tens medo que eu participe?"
Sorri e respondi-lhe:
"Tenho. Mas esse medo é meu. Não tem de ser teu."
Enquanto dizia esta frase, percebi que também estava a dizê-la a mim própria.
Ser pai e mãe é, muitas vezes, aprender a conviver com os nossos medos sem os entregar aos nossos filhos.
Porque é natural termos medo:
Medo que caiam.
Que falhem.
Que sofram.
Que se magoem.
Que cresçam.
O problema não é sentir medo.
O problema é quando, sem nos apercebermos, começamos a emprestar esses medos às crianças.
Quando deixamos de lhes perguntar: "O que gostavas de experimentar?"..para lhes mostrar tudo aquilo que pode correr mal.
Às vezes acontece quando evitamos que vão a um campo de férias porque imaginamos todos os perigos.
Quando desistimos de uma atividade antes mesmo de lhes dar oportunidade de descobrir se gostam.
Quando dizemos "não" mais por aquilo que sentimos do que por aquilo de que realmente precisam.
Ou, pelo contrário, quando insistimos num sonho que era nosso e não deles.
Porque também os nossos desejos podem ocupar demasiado espaço.
Os nossos filhos não vieram ao mundo para confirmar os nossos receios.
Nem para realizar os nossos sonhos.
Vieram para descobrir os deles.
E isso exige uma coragem muito especial da nossa parte.
A coragem de os acompanhar.....sem lhes emprestar os nossos medos.
Porque proteger não é impedir que vivam.
É ajudá-los a acreditar que serão capazes de enfrentar a vida.
Mesmo quando nós, cá dentro, sentimos vontade de os proteger de tudo.
Porque os nossos filhos não precisam que lhes emprestemos os nossos medos:
Precisam de saber que estaremos por perto, enquanto descobrem as suas próprias coragens! 🤍
Nas Entrelinhas da Infância 🌿
Um pai de cada vez.
Um canteiro de cada vez.
Uma criança de cada vez.
30/07/2026
Naquele dia, uma mãe não precisava de mais um olhar. Precisava de uma aldeia.
Estava com o meu filho no hospital à espera, para uma consulta.
Uma criança começou a ter dificuldades em gerir o seu comportamento. O momento foi escalando. Vieram os gritos, a agressividade, os olhares.
E, depois, aquele silêncio que não é bem silêncio. O burburinho. Os comentários. A agitação na sala de espera. A sensação de que todos estão a observar.
E eu pensei naquela mãe.
Porque, quando uma criança está desregulada, muitas vezes o adulto também está a tentar desesperadamente encontrar o caminho de volta à calma.
Mas é difícil regular uma criança quando, ao mesmo tempo, sentimos que estamos a ser julgados por todos os que nos rodeiam.
Por isso, levantei-me e convidei aquela criança a brincar com o meu filho.
Não sabia o que tinha acontecido antes. Não sabia o que aquela família estava a viver. Não sabia se aquela criança estava cansada, assustada, sobrecarregada ou simplesmente a ter um momento difícil.
E, na verdade, não precisava de saber.
Precisava apenas de poder ajudar.
A mãe agradeceu.
E eu fiquei a pensar em como, tantas vezes, a sociedade é rápida a observar, comentar e avaliar… mas nem sempre tão rápida a oferecer ajuda.
É preciso uma aldeia para educar uma criança.
Mas talvez também seja preciso uma aldeia para cuidar dos pais enquanto eles educam.
Uma aldeia que não apareça apenas para dizer:
“Eu faria de outra forma.”
Mas que consiga perguntar:
“Como posso tornar este momento um pouco mais fácil?”
Porque os pais também precisam de espaço para aprender, experimentar e fazer diferente daquilo que os outros esperam.
Precisam de poder escolher o que faz sentido para a sua família sem sentirem que estão constantemente a ser avaliados:
- Dormir juntos ou separados.
- Dar colo ou incentivar mais autonomia.
- Acompanhar mais ou deixar experimentar.
- Estabelecer um limite ou escolher, naquele momento, não entrar numa batalha.
Nem todas as famílias precisam da mesma coisa.
[ Continua nos comentários abaixo 👇]
25/07/2026
Há algum tempo que tenho pensado sobre o que quero que este espaço seja.
Não quero apenas falar sobre crianças. Quero falar sobre aquilo que, muitas vezes, f**a por dizer.
Sobre o que existe por detrás de uma birra, de um silêncio, de um desenho, de um pedido de colo ou de um comportamento que desafia.
Sobre as necessidades que nem sempre conseguem ser ditas em palavras.
Sobre os pais que, tantas vezes, tentam fazer o melhor que conseguem enquanto se sentem cansados, culpados e constantemente avaliados.
Sobre a infância que acontece nas pequenas coisas:
Nos minutos de brincadeira.
No olhar que procura os pais na plateia.
Na forma como respondemos a um erro.
No abraço que damos depois de um dia difícil.
Nas escolhas que fazemos — e nas escolhas que aprendemos a fazer de forma diferente.
Porque acredito que, quando mudamos a forma como olhamos para uma criança, mudamos também a forma como nos relacionamos com ela.
E talvez seja esse o meu maior propósito:
ajudar os adultos a compreender melhor as crianças, para que possam criar um solo mais saudável para elas crescerem.
Não um solo perfeito - porque não existem pais perfeitos, relações perfeitas ou infâncias sem dificuldades.
Mas um solo onde exista espaço para a segurança, para a reparação, para a autonomia, para o vínculo e para o desenvolvimento.
Um solo onde uma criança possa crescer sabendo que não precisa de ser perfeita para ser amada. - um canteiro fértil à medida de cada criança.
Foi assim que nasceu "Nas Entrelinhas da Infância".
Porque acredito que, muitas vezes, aquilo que vemos é apenas uma parte da história.
Nas entrelinhas de uma birra pode existir uma emoção que ainda não encontrou palavras.
Nas entrelinhas de um comportamento desafiante pode existir uma necessidade.
Nas entrelinhas de um pedido de colo pode existir uma procura de segurança.
Nas entrelinhas da parentalidade podem existir dúvidas, medos e dores de que pouco se fala.
[Continua nos comentários 👇]
20/07/2026
"Porque é que, nos minutos finais da consulta, deixo a criança escolher a brincadeira?"
À primeira vista, pode parecer apenas um momento de diversão.
Mas, em contexto terapêutico, raramente as escolhas são por acaso.
Ao reservar os minutos finais da consulta para que a criança escolha uma atividade ou uma brincadeira, estou a transmitir-lhe uma mensagem importante:
"Agora é a tua vez."
Ao longo da sessão, existem momentos em que sou eu quem orienta, propõe desafios e conduz as atividades de acordo com os objetivos terapêuticos. Mas também acredito que a relação se fortalece quando a criança sente que existe espaço para a sua voz, os seus interesses e as suas escolhas.
Esta pequena rotina cria previsibilidade: primeiro fazemos uma atividade que eu proponho; depois, fazemos uma atividade que escolhes tu.
E isso faz toda a diferença.
A criança sabe que será ouvida, o que facilita a aceitação das tarefas menos desejadas e promove uma maior colaboração ao longo da sessão.
Ao mesmo tempo, este momento permite-lhe exercer competências importantes: tomar decisões, fazer escolhas, expressar preferências, assumir a liderança e sentir que as suas ideias têm valor.
Mas há algo ainda mais importante.
Quando seguimos a iniciativa da criança na brincadeira, estamos a entrar no seu mundo. A conhecê-la melhor. A fortalecer o vínculo terapêutico e a mostrar-lhe que a relação também se constrói através da escuta, da confiança e do respeito.
Porque, por vezes, os minutos que parecem ser apenas para brincar são, na verdade, alguns dos momentos mais terapêuticos da sessão.
04/07/2026
⚠️E se te dissesse que, para o teu filho, tu és muito mais interessante do que qualquer brinquedo?⚠️
Por mais brinquedos que existam em casa, há um que continua, vezes sem conta, a ser o preferido: TU!
O teu rosto, a tua voz, as tuas expressões, a tua atenção, a tua disponibilidade.
Para uma criança, os pais são muito mais do que cuidadores. São fonte de descoberta, de estímulo e de aprendizagem. São, muitas vezes, o “brinquedo” mais completo e mais signif**ativo que a infância pode ter.
É na interação contigo que o teu filho aprende a comunicar, a esperar, a imaginar, a regular emoções, a resolver problemas e a relacionar-se com o mundo.
Quando brincas, conversas, respondes às suas iniciativas ou simplesmente te deixas envolver no seu mundo, não estás apenas a passar tempo com ele. Estás a alimentar o seu desenvolvimento.
Mas há ainda algo mais profundo.
As crianças não apenas brincam connosco — elas observam-nos com admiração.
Olham para nós para perceber como agir, como reagir, como falar, como amar. Por isso, os pais são também modelos vivos. Aquilo que fazemos ensina, muitas vezes, mais do que aquilo que dizemos.
Tal como um brinquedo pode estimular curiosidade, criatividade e crescimento, também a nossa presença pode expandir o mundo interno da criança.
Mas, ao contrário dos brinquedos, nós temos algo que nenhum objeto consegue oferecer: VÍNCULO! ✨
Presença emocional. Resposta. Conexão.
Talvez por isso, um dos maiores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos não seja ter mais para lhes dar, mas estar mais disponíveis para estar com eles.
Porque, no fundo, aquilo de que mais precisam não é de entretenimento constante.
É de um adulto dedicado, disponível e emocionalmente presente.
Alguém que aceite, de vez em quando, ser o seu brinquedo preferido.
01/07/2026
E se a tua presença em momentos aparentemente pequenos estiver a moldar, em silêncio, a forma como o teu filho se vê?
Para um adulto, assistir a um treino, a uma apresentação da escola ou a uma atividade extracurricular pode parecer apenas mais um compromisso na agenda.
Para uma criança, pode signif**ar muito mais.
Há algo profundamente especial no momento em que uma criança procura o olhar dos pais… e encontra-os.
Naquele instante, recebe uma mensagem silenciosa, mas poderosa:
“Tu importas para mim.”
“Aquilo que é importante para ti também é importante para mim.”
“Estou aqui.”
Quando acompanhamos os nossos filhos nas suas atividades, não estamos apenas a assistir ao que fazem — estamos a conhecer partes deles que continuam a crescer fora de casa.
E eles sentem isso.
Sentem a segurança de ter uma base segura para onde olhar. Sentem confiança ao saber que existe alguém que acredita neles, mesmo quando falham.
Por vezes, sem intenção, nivelamos por baixo:
“É só um treino.”
“É só um jogo.”
“É só uma apresentação.”
Mas, para a criança, raramente é “só”.
Aquele momento pode representar esforço, superação, medo, entusiasmo ou conquista.
A autoestima não se constrói apenas através de elogios. Constrói-se, muitas vezes, através da experiência repetida de se sentir visto. De se sentir importante.
Porque, no fundo, aquilo de que muitas crianças se recordarão não será apenas do resultado.
Recordar-se-ão, sobretudo, de quem estava lá.
De quem apareceu.
De quem ficou.
19/06/2026
E se uma das partes mais difíceis de ser pai ou mãe for aprender, aos poucos, a deixar de ser o centro do mundo do nosso filho?
Há dores de crescimento de que pouco se fala.
Falamos muito sobre as dores de crescimento das crianças — as suas mudanças, desafios, fases e conquistas — mas falamos menos sobre as dores de crescimento dos pais.
Porque, à medida que os filhos crescem, também os pais são chamados a crescer.
No início, somos tudo. Somos colo, abrigo, conforto, referência. Somos o lugar onde a criança regressa sempre. O nosso olhar organiza o mundo dela.
Mas o desenvolvimento saudável implica mudança.
Aos poucos, os filhos começam a afastar-se. Procuram mais privacidade. Partilham menos. Passam a valorizar mais a opinião dos amigos. O colo transforma-se em autonomia. A dependência dá lugar à individualidade.
E, por vezes, isso dói.
Dói perceber que já não somos a primeira pessoa a quem contam uma novidade. Dói quando o abraço dura menos tempo. Dói quando os pares começam a ocupar um espaço que antes era quase exclusivamente nosso.
Existe um luto silencioso nesta transição.
O paradoxo é que, muitas vezes, essa dor é também sinal de que estamos a fazer um bom trabalho.
Porque educar não é criar dependência emocional. É construir segurança suficiente para que, um dia, os filhos possam afastar-se sem deixar de saber onde f**a casa.
Talvez uma das tarefas mais exigentes da parentalidade seja esta: aprender a continuar presente sem ocupar todo o espaço.
Aceitar que perder centralidade não signif**a perder importância.
Porque o nosso lugar muda, mas não desaparece.
Deixamos de ser o centro… para nos tornarmos a base.
E talvez seja esse o amor mais maduro de todos: aquele que suporta ver o outro crescer, mesmo quando crescer signif**a precisar menos de nós.
17/06/2026
E se te dissesse que já viveste alguns dos "últimos momentos" com o teu filho sem te aperceberes disso?
Um dia vais pegar ao colo o teu filho pela última vez e não vais saber que é a última.
Não haverá um aviso. Não haverá uma despedida especial. Simplesmente acontecerá. Um dia, ele crescerá o suficiente para já não pedir colo. E aquele momento que parecia tão comum f**ará para trás sem que ninguém se aperceba.
O mesmo acontece com tantas outras coisas: a última vez que adormece no teu colo, a última vez que te pede para contares a mesma história antes de dormir, a última vez que te estende a mão para atravessar a rua, a última vez que corre para os teus braços quando te vê chegar.
Na correria dos dias, é fácil f**armos presos às tarefas, aos horários, às exigências e aos desafios da parentalidade. E é verdade que educar pode ser cansativo. Mas, no meio dessa correria, existem momentos aparentemente pequenos que estão a construir as memórias da infância.
Isto não signif**a que tenhamos de viver com saudade antecipada ou sentir culpa por não aproveitar tudo. Signif**a apenas que vale a pena parar, de vez em quando, e estar verdadeiramente presente.
Porque a infância é feita de fases que parecem intermináveis enquanto acontecem, mas que passam mais depressa do que imaginamos.
E talvez hoje, antes de dizeres "agora não", possas fazer uma pausa. Dar mais um abraço. Aceitar mais um pedido de colo. Ou simplesmente estar ali, por alguns minutos, sem pressa.
Porque um dia haverá uma última vez. E o mais importante não é sabermos quando ela será. É estarmos presentes enquanto ela ainda não chegou.
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